Política precisa de “conserto“
Praticamente
um ano depois da eleição que renovou o mandato de Dilma Rousseff
(PT), a mais recente pesquisa Ibope – feita no fim de outubro para
testar como anda a preferência do eleitorado brasileiro – revelou
algo que é fácil perceber nas ruas: a desconfiança da população
em relação à classe política chegou a patamares altíssimos. Em
todos os possíveis cenários, os índices de rejeição aos nomes
chamam a atenção. Variam de 47% do senador tucano Aécio Neves ao
mais alto nível de impopularidade da atualidade, hoje do
ex-presidente Lula: 55%.
A
constatação, no entanto, pode fazer muita gente torcer o nariz. Os
responsáveis pela corrupção no Congresso Nacional podem ser
encontrados em qualquer casa. “Os políticos que estão na Câmara
e no Senado têm uma coisa em comum: foram todos eleitos. Ninguém
ali entrou pela janela. O problema não está só com os
parlamentares. Eles espelham as características da nossa sociedade”,
aponta o secretário geral da ONG Contas Abertas, Gil Castello
Branco.
A
mesma opinião tem o coordenador do Núcleo de Estudos Sociopolíticos
da PUC-Minas, Robson Sávio, que faz uma série de questionamentos
para colocar todo eleitor para pensar. “No Brasil, a corrupção
faz parte da vida das pessoas. Quantos sonegam impostos? E os
profissionais liberais que não emitem nota? Se a cultura dos
cidadãos em sua própria conduta não mudar, a cultura política não
muda”, afirma.
No
entanto, Robson Sávio avalia que também temos um sistema político
que favorece representantes que não se importam com a população. E
para consertar esse ponto, seria inevitável uma reforma política.
“Precisamos consertar a influência do poder econômico nas
eleições. Hoje, menos de 10% dos congressistas representam a base
dos trabalhadores. E 70% representam os segmentos empresariais e
profissionais liberais. Temos muito poucas mulheres e nenhum
indígena”, diz Sávio.
Financiamento.
Uma
das mudanças defendidas por ele é a adoção do financiamento
público de campanha. Isso equilibraria o jogo eleitoral e faria com
que a diferença de valores entre uma campanha e outra não fosse tão
grande e daria chance para representantes de minorias se elegerem.
Eleitor
diz que saída é Congresso renovado
Nas
ruas, não faltam pessoas com opiniões definidas sobre o que deve
ser feito para que Legislativo, Executivo e Judiciário funcionem da
maneira correta. Um dos pontos de consenso é a ideia de que todos os
parlamentares do atual Congresso deveriam sair. “Tem que tirar
todos eles. Trocar e colocar uns novos, que não roubam. A saída é
não reeleger nenhum político”, defende o profissional de TI
Renato Donizete, 39.
O problema é justamente saber quem são os políticos realmente honestos, nos quais os eleitores devem votar nas eleições seguintes. “Tem que pesquisar muito antes de votar, e ser mais ativo na política. Saber quem são os deputados, o que eles fazem, pesquisar mesmo”, enfatiza o jovem Vitor Felipe Castanheira, 18, que ganha a vida trabalhando na instalação de cenários para peças de teatro. Ele defende ainda que os mais novos têm que ter uma maior participação na política, enquanto todos têm que cobrar mais dos governantes.
Uma votação mais cuidadosa é justamente o que defendem alguns especialistas. “É bobagem pensar que as mudanças vão vir de cima para baixo. Elas vêm da base para cima. É preciso acompanhar os mandatos, cobrar dos políticos. Enquanto a população não mudar sua prática em relação à coisa pública, não teremos melhorias”, explica Robson Sávio.
Além da reforma política, as manifestações foram apontadas como uma dos caminhos para a solução. “Tem que ter manifestação, parar o trânsito, para eles (os governantes) entenderem que o problema é sério”, defende a dona de casa Natália Menezes, 29.
‘Escola’ de maus políticos tem origem nas cidades do interior
Quando
se fala em fiscalização dos órgãos públicos, o que se pensa é
no governo federal, responsável pelo país, ou nos governos
estaduais. Mas, de acordo com o secretário geral da ONG Contas
Abertas, Gil Castello Branco, os municípios têm uma importância
crucial na questão da corrupção. “O mau político não nasce em
Brasília. Nasce numa cidade, muitas vezes de interior. Ali se torna
vereador, deputado e pode alçar outros voos. Se tivesse uma
fiscalização efetiva, muitos dos maus políticos não teriam
chegado onde estão”, argumenta Castello Branco.
Nas cidades, principalmente as de interior, também é possível uma maior proximidade entre a população e as políticas públicas. “Todo mundo conhece o posto de saúde, a escola. É mais fácil acompanhar o trabalho. É preciso ter uma fiscalização efetiva e rigorosa nos municípios”.
Fonte:
O
TEMPO
Comentário:
O Brasil é um país com excelente potencial para crescer,
mais os políticos brasileiros não são honestos todos são
ambiciosos, só pensam em levar vantagens, fazer coisas erradas para
obter lucros fáceis. Com isso nossa educação está esquecida, os
postos de saúde estão sem remédios e sem médicos, a segurança e
fome estão precárias, é com isso que os políticos deviam se
preocupar com o nosso país, nossa população, mas infelizmente essa
não é nossa realidade.
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